14 de fevereiro de 2006

On getting old.

Todo dia eu sinto a mesma coisa, que vem sempre na mesma hora e no mesmo lugar.
Todo dia eu acordo e me sinto cinza, e tenho crises de idade, mesmo sendo muito nova para isso ainda. Simplesmente acho que essa coisa de crescer e virar adulta não é comigo. Calma, também não vou virar nenhum Michael Jackson em Neverland, e nenhuma Xuxa e os baixinhos. A questão, aliás, é totalmente outra.
Vou crescendo, e vinte se tornam vinte e dois, e assim a cada dia tenho menos tempo para me tornar o que eu realmente quero ser. E quanto menos tempo tem, mais sufocante essa sensação é. Tenho certeza de que ao crescer desenvolvi razoavelmente bem todas as minhas faculdades físicas e mentais, sou provida de alguma cultura e talento, e tenho energia e potencial para fazer muitas coisas na vida. Mas todo dia essa energia acaba sendo dissipada, aos poucos, escorrendo das minhas entranhas e sendo absorvido pelo meu colchão, ou pela cadeira cinza de um escritório sem graça, através de minhas atividades automáticas e cansativas.
É como se todo dia eu preparasse refeições ricas e variadas, com sabores e cores para estimular todas as papilas gustativas e, no final, desse de comer a porcos e vacas, que obviamente não distinguiriam um brócolis de um sapato velho.

3 Comments:

At 9:27 PM, Anonymous  said...

hahahahahha....desculpa, la...sei que isso é trágico ( sentir-se velha e esvaindo de energia), mas essa coisa de distinguir sapato de brócolis, foi ótimo!
Eu sei como é...não estou assim agora, mas já me senti assim milhões de vezes...como se todas as suas cores fossem colorindo só os sonhos e a realidade ficasse assim nua e crua, acinzentada e sem graça.
Beijos, te ligo num desses dias que chegar cedo em casa.

 
At 9:33 PM, Anonymous  said...

ahhhh sabe uma coisa que o Billie disse outro dia? " vc não pode controlar o vento, mas pode controlar o seu barquinho"
nhá...poetinha...

 
At 11:55 AM, Anonymous pri said...

larissa, escreve um caderninho com esses seus textos e me dá? haha

 

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