15 de março de 2008

No phone, no pool, no pets, no cigarettes...


Na Natureza Selvagem (Into the Wild – filme de Sean Penn e livro de Jon Krakauer) é a história de um jovem que deixa seus princípios filosóficos lhe guiarem para mais longe do que qualquer outro jovem da sua idade o faria. Longe não apenas no sentido literal, mas em relação à sua escolha de vida. Cris McCandless termina a graduação, com menção honrosa, numa prestigiosa universidade norte-americana, para a alegria dos seus pais. Porém, tem uma idéia de futuro bem diferente da deles. Ele se recusa a iniciar uma carreira, que, para ele (segundo o filme), “é uma invenção do século XX”. Então, parte para uma viagem solitária, acompanhado apenas de uma mochila onde carrega itens básicos de sobrevivência. Itens básicos incluem seus livros de filosofia e poesia. Jack London, Leon Tostói, e Henry Thoreau são seus favoritos. E não incluem dinheiro algum. Ele doa sua poupança à caridade e queima os trocados que lhe restam.

Nascido em família abastada e desestruturada, resolve começar uma vida totalmente desprendida de bens materiais, obrigações, imposições, que só tornam os homens cada vez mais limitados à um papel previsível na nossa sociedade.
Apesar da sua busca a princípio ser individual, solitária, ele acaba esbarrando em pessoas desconhecidas, que se não fosse por meio da viagem, nunca teria a oportunidade de conhecer. Os encontros com desconhecidos são a maneira do autor nos mostrar, aos poucos, os mais profundos pensamentos e qualidades do viajante. E são também as partes mais emocionantes do filme. É lindo e emocionante quando ele, um pouco bêbado na mesa do bar, confessa ao fazendeiro da Dakota do Sul não entender porque os humanos se esforçam tanto em maltratar uns aos outros, revelando ser ainda um garoto puro, que não quer se corromper. Seu objetivo final é chegar no Alasca, e finalmente ficar sozinho, em contato com a natureza.
De maneira profunda e convincente o filme nos mostra o contraste entre a sociedade ideal e a sociedade real, esta última obtida através dos tropeços da nossa história. E também mostra que Cris, ou Alex, conseguiu experimentar um pouco da sociedade ideal na sociedade real.
Clichê dizer, mas ali ficam claras algumas distorções de valores que aceitamos sem perceber, vista sempre através do desrespeito dos homens para com eles mesmos, especialmente quando ele vai para a cidade de Los Angeles.
É um filme que nos faz pensar, seriamente, sobre o que nos traz felicidade. E junto com Supertramp, ao longo de sua jornada, acabamos por desvendar ao menos uma das formas de alcançá-la, isto é, através das mais profundas relações sociais. “Hapiness is only real when is shared”.
Vi o filme, ainda não li o livro. O ator Emile Hirsch, no papel principal, é incrível. Aliás, é difícil dizer quem não representou bem nesse filme.

1 Comments:

At 10:06 AM, Blogger * * CR * * said...

O livro está brutaaaaaal!
Para mim, bem melhor que o filme.
Vale a pena! ;))
CR ***

 

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