5 de setembro de 2012

Intercâmbio de sentimentos latinos



Até uns 25 anos de idade, eu nunca tinha visitado outro país sul-americano. A vida tinha me levado para os EUA, para o Canadá, e até para o mais longe possível, isto é, para o Japão. Mas dos países vizinhos do Brasil, eu só tinha ouvido falar. De certo modo, era como se eu vivesse numa ilha. Um grande país continental, tão grande que é preciso dirigir por dias até encontrar uma fronteira, e que por ser tão longe, só tinha alguma noção adquirida em aulas de geografia, poucos filmes* e em revista de turismo.



Talvez por sermos o único país da America Latina que não fala espanhol, somos mesmo um pouco ilhados. É preciso ultrapassar fronteiras da preguiça e da cara de pau, se aventurar no portunhol, e, aos poucos, entender essa língua tão igual, mas tão diferente do português. São tantas barreiras - a língua, a mídia, o frio, os pampas, os grandes rios e, por fim, os Andes, e também a diferença da colonização - que ficamos muito afastados da cultura dos nossos hermanos.

Eu me impressiono quando visito qualquer outro país. Só de estar num lugar que fala outra língua e tem outro cheiro, meus sentidos se aguçam e eu me mantenho entretida a cada momento. Só não imaginava que países vizinhos poderiam ser tão impressionantes quanto o outro lado do mundo. Não tanto pelas suas peculiariedades, mas pelas nossas similaridades. Eu ia lá saber que do outro lado dos Andes se come muito pinhão, esse fruto tão paranaense? 



É como encontrar irmãos perdidos depois de adulta. Ainda que não fomos criados juntos, percebemos que temos muito em comum, e também muitas diferenças. Temos nossas rixas mas, no fundo, sei que vamos nos dar bem.

Agora caindo de cara no clichê. Conhecer os irmãos reforça a minha identidade latino-americana. É bom ver que há tanta beleza e tanta cultura do lado de baixo do continente americano ainda para conhecer. Tanta coisa para ver e para descobrir, um universo que se abre para mim e que me manterá entretida por um bom tempo.

Conhecer o Chile fez a minha respiração doer de felicidade, de novo, depois de já ter me encantado com o Uruguai. Não se de qual dos dois eu gosto mais. Agora preciso conhecer o Deserto do Atacama, passando pelo norte do Chile, Peru e Bolívia, para ficar ainda mais deslumbrada. Sem falar na Patagônia e suas cidades que me soam tão bem - Torres del Paine, Ushuaia, El Calafate.

Acho que é uma boa troca. Eles se encantam com as nossas praias e eu suspiro a cada vez que me encontro com a cordilheira nevada. Eles ficam encantados com a nossa ginga, e eu fico encantada com a sua garra.



* Filmes: Kamchatka (2002) da Argentina, Machuca (2004) do Chile, e Whiskey (2004) do Uruguai.



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4 Comments:

At 10:34 AM, Blogger Ana said...

Faco de suas palavras minhas tambem.... conhecer nossos vizinhos tambem me fez sentir latino americana... Ana

 
At 12:26 PM, Blogger Fernanda Etsumi said...

Aeeee, carnaval do ano que vem bora cometer latinidades!

 
At 6:36 PM, Blogger Tati said...

O Chile :)
Vai pro Atacama. É único.
Fui na mesma viagem que você comentou lá no blog.

Pra criar coragem:
http://extraforte.blogspot.com.br/2011/12/altiplano.html

 
At 9:17 AM, Blogger Ana Dantas said...

Oi Larissa,
Obrigada pela visita...Sempre que eu puder, colaborarei com sugestões que poupem nossa "lida na pia" (...lavar louça).
Adorei seu post...Também amei o Chile! Pretendo voltar, e também conhecer toda a América do Sul. Acredito e ensinei isso para minhas filhas, começamos pelo Brasil, America do Sul, Europa (nosso berço) e por último quando não houver mais o que ver...EUA .
Abraço

 

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